FALANDO FRANCAMENTE



O que acontece e para onde vão os suicidas?

Não matarás é o quinto mandamento, o que implica em homicídio e suicídio.
Vamos nos ater ao suicídio.        No livro IV, capítulo I Penas e Gozos Terrestres, de O Livro dos Espíritos, questão 944 Kardec questiona os espíritos: O homem tem direito de dispor da sua vida? Não, só Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei e não sendo sempre voluntário, pois o louco que se mata, não sabe o que faz. Uma questão que pode fazer muita diferença e mudar completamente o futuro.

O que acontece com o suicida e para onde vão?

O que acontece com quem se suicida?

Segundo os relatos da reunião do Grupo Resgate da Esperança, a decepção de estar vivo, pois, a morte está para o corpo (matéria) e não para o espirito, que vendo o  próprio corpo em decomposição revendo os fatídicos momentos  em que conclui o ato, o indivíduo experimenta o horror e o pavor, até que os fluidos corporais se extinguem. “Ouvi o disparo da arma a bala entrando na minha cabeça milimetricamente e o corpo caindo sem reação por longos anos...” C. A..
Emmanuel na questão 154 em O Consolador diz: “...Anos a fio, sentem as impressões terríveis do tóxico que lhes aniquilou as energias, a perfuração do cérebro pelo corpo estranho partido da arma usada no gesto supremo, o peso das rodas pesadas sob as quais se atiraram na ânsia de desertar da vida, a passagem das águas silenciosas e tristes sobre os seus despojos, onde procuraram o olvido criminoso de suas tarefas no mundo e, comumente, a pior emoção do suicida é a de acompanhar, minuto a minuto, o processo da decomposição do corpo abandonado no seio da terra, verminado e apodrecido.
De todos os desvios da vida humana, o suicido é, talvez o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor, e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia.”

Nos conta, também Yvonne do Amaral Pereira no clássico Memórias de um Suicida a experiência post-mortem do escritor Camilo Castelo Branco, relato ditado nos anos 50 do século XX.
“Camilo ficou cego aos 65 anos de idade. Numa visita ao oftalmologista soube que a cegueira era irreversível por isso suicidou-se com um tiro na cabeça.
Morto o corpo, descobriu que a vida continuava. Ficou vagueando, perturbado e desesperado, envolvido na mais completa amargura. Meses depois, foi encaminhado ao Vale dos Suicidas. Ali, o sofrimento alcançava dimensões trágicas.
O vale era composto de cavernas sinistras e abrigava suicidas provindos de Portugal, Espanha, Brasil, colônias portuguesas da África e de alguns países da América do Sul. Ali, os suicidas experimentavam a repetição constante do gênero de morte escolhido, para dar cabo à própria vida.
A descrição dos horrores vividos no vale sinistro é impactante ali, experimentavam o processo de “desanimalização”, isso é, até que se dissolvessem os fluidos e forças vitais advindos do corpo físico a que ficavam ligados, sofriam a putrefação e a ação dos vermes ocorridos no corpo físico. Pode-se dizer que estavam semi-desencarnados. A repercussão dos atos incorretos, das quedas pecaminosas, corporificava-se a frente das suas consciências. Entre outros flagelos enfrentavam as exigências físicas como a fome, a sede, o frio, a fadiga, a insônia.
Mas não estavam desamparados, regularmente eram visitados por um grupo que se denominava Legião dos Servos de Maria. Os trabalhadores espirituais consultam um a um se os seus fluidos vitais haviam se extinguido, condição esta para o resgate da criatura. Os que se apresentavam nessas condições, eram levados ao Instituto Correcional Maria de Nazaré, onde eram internados no hospital, se fossem espíritos arrependidos, no isolamento se revoltados, ou no manicômio se endurecidos. Ali, seriam instruídos, reeducados e preparados para uma nova reencarnação.
Cumpre notar que os casos mais graves ficam no manicômio. Na ala masculina, encontram-se os cocainômanos, e usuários de outras drogas. Apresentavam um corpo astral entorpecido, desarticulado, mergulhado em plena loucura. Na ala feminina, encontravam-se as mulheres, que tiveram a morte relacionada a abortos. Aos internos do manicômio não restava outro recurso senão a reencarnação compulsória.
Camilo reencarnou em Portugal após ditar o livro à médium Yvonne. Deveria enfrentar a cegueira aos 40 anos de idade, era previsto que esta encarnação durasse 60 anos. Preparado como foi, Camilo ainda deve estar reencarnado, em vias de saldar o seu débito adquirido no século XVII quando fizera cegar um rival.”

De todas as mortes a pior é a morte por suicídio (nos diz Carlos Imbassahy no livro O que é a morte no capítulo A morte/Suicídio). Nesta não existe a suave quietação da morte por vias naturais. Muito pelo contrário, as agonias se prolongam pela morte e a dentro, e continuam numa sequência de horrores, talvez até nova prova terrena. Assim, o dizem, o outro lado da vida.
A ignorância neste assunto e total. Ensinava Sócrates a um discípulo:
“ Será para ti motivo de estranheza verificar que há para todos necessidade de viver, mesmo para que os que tem a esperar mais da morte do que da vida. E notarás que não lhes é permitido procurar a morte por suas próprias mãos, sendo obrigados a esperar outro libertador.”
Todas as religiões condenam o suicídio, e algumas legislações culminam penas aos cadáveres, na impossibilidade de culminá-la às almas. E então desenterravam os corpos expunham-nos, maltratavam-nos, multilavam-nos e estraçalhavam-nos.
Observamos aí que o suicídio é uma trágica e dolorosa realidade sem fronteiras seja por nacionalidade, religiosidade, grau de instrução, raça, idade e sexo. Já está se tornando caso de saúde pública ou mundial onde um milhão de pessoas se suicidam por ano, uma quantidade total maior do que as vítimas de guerras e homicídios, um problema que se agrava segundo o relatório da OMS publicado em Genebra em setembro de 2012.
O suicídio não mata só o indivíduo, mata toda a sociedade em que ele convive. Este ato não alivia o sofrimento, só agrava. O que alivia o sofrimento é a partilha, comunicar-se, olhar-se. A coragem não está em se matar, mas sim em enfrentar as situações com fé, independente de religiosidade. Fé = Força e Esperança, a força que impulsiona, firma e nos põe de pé, a esperança nos revigora o entusiasmo e infla o necessário ânimo para o prosseguimento até o fim, e juntos força e esperança salvam vidas.

Para onde vão?
Aos suicidas (estamos nos detendo aos suicidas voluntários) é reservado os Vales dos suicidas nos abismos umbralinos. Relatam os espíritos: Lugar inóspito de vibração densa há sofrimento por toda parte cada qual com a sua desdita e um coletivo a aumentar esse drama relatam; lugar medonho com constante odor putréfico, paisagens horrorosas e personagens travestidas de imagens assustadoras e monstruosas a nos perturbar, condenar e açoitar. Determinadas regiões sem descrições...
Fora a tormenta interior são constrangidos a permanecer em constante estado de prisioneiros e até servidores de entidades malignas auxiliando nas investidas sagazes desses seres que estão dispostos a atravancar o progresso dos habitantes deste lindo planeta, porém Deus é mais amor, piedade e misericórdia e permite que seus abnegados servidores auxiliem estas almas combalidas através de várias equipes que trabalham dia e noite nestas regiões em busca daqueles que estão preparados para o socorro. Assim como a Legião dos Servos de Maria, há tantos outros grupos como o Resgate da Esperança trabalhando pelo bem, pela vida.

Valenthina
“Brilhai a vossa luz”

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